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  • CD da cantora Mart´nália é um mix de produtores, compositores e repertório variado

    31/01/2017

    Artista carioca sim, intérprete é um termo que ela rejeita

    Em muitos aspectos o novo disco de Mart'nália é misturado. Repertório, produtores, compositores, energia e, enfim, título. O nome reforça esse desejo estético para o trabalho, sucessor do ao vivo Mart’nália Em Samba. Lançado pelo selo Biscoito Fino neste mês de janeiro, o álbum + Misturado reúne os diferentes caminhos seguidos pela artista em sua discografia.

    “Essa escolha significa todas as misturebas e mart’nalices que fiz ao longo do tempo na minha vida de artista carioca”, fala a cantora em entrevista bem humorada e informal ao A TARDE. Rejeita, de imediato, a definição de intérprete. “Cantora até sou, mais ou menos. Artista carioca fica mais completo”, diz, com sotaque carrregado e aos risos.

    CD

    A obra tem 14 faixas, oito inéditas e seis regravações.

    Ela juntou um time de músicos para produzir separadamente as canções de + Misturado: Arthur Maia, Claudio Jorge, Dadi, Ivan Machado e Zé Ricardo. A obra tem 14 faixas, oito inéditas e seis regravações. Vai de Estrela, clássico de Gilberto Gil, e Linha do Equador, de Djavan e Caetano Veloso, até o medley Ela Disse-me Assim / Loucura (Lupicínio Rodrigues) e Tempo de Estio, do lado B de Caetano.

    Parcerias variadas

    “Havia pedido uma para Caetano, mas ele não entregou a tempo. Então gravei essas. Tenho boas lembranças de Tempo de Estio, sempre me passou uma sensação de liberdade. E sonhei com ela. E todas do Gil foram feitas para mim (risos)”, diz. Ela revela que, no final da turnê do trabalho anterior, recebeu pedidos de inclusão no roteiro do espetáculo. “A galerinha que curte uma coisa misturada começou a pedir as baladas. Virou o show Misturado”.

    Isso não significa que a cantora fez o novo trabalho apenas para agradar esse público. “O fio condutor sou eu mesma. Entra o meu lado e a mistura de produtores. Os outros discos têm um produtor só, um é Caetano, outro Bethânia, outro Djavan, Arthur Maia. E agora são vários músicos, instrumentistas. O disco é resultado do que nasci fazendo. A primeira música que entrou foi Se Você Disser Adeus, do Geraldinho (Azevedo). Estava guardada e há dois anos decidi gravar”. Ela canta com o pernambucano no disco.

    As inéditas são parcerias de Mart’nália com outros autores, a exemplo de Mombaça, em Tomara, e Zé Katimba e André da Mata, em Vem Cá, Vem cá..., ou feitas por compositores menos conhecidos. Teresa Cristina assina com Mosquito Ouvi Dizer e Tom Karabachian, filho de Moska, divide com Cris Sauma a música Melhor Para Você.

    Essa escolha significa todas as misturebas e mart’nalices que fiz ao longo do tempo na minha vida de artista carioca.

    Logo na abertura do álbum, Mart’nália vai na cadência do samba em dueto com o seu pai, Martinho na Vila. “Toda vez que vou montar um repertório só me mandam samba ou música de macumba. Então eu queria sair um pouco, mas não sai de mim totalmente, graças a Deus. Para começar quis colocar esse. Queria misturar, tem o partido alto da Teresa Cristina e do Mosquito, o mela cuecão Eu Te Quero Agora, do Zé Ricardo”, lista.

    Martnália faz 30 anos de carreira fonográfica em 2017, mas não pretende celebrar o marco. “Não ligo para isso. Não sou muito de fazer planos”. O que ela quer mesmo é aproveitar o verão entre o Rio de Janeiro e Salvador. Participa com Martinho da Vila da próxima edição do Sarau du Brown, 19 de fevereiro, no Museu Du Ritmo. “Vou passar uns dias aí, já sei que está fervendo, porém, mais calmo que no Carnaval. E Carnaval é no Rio, não tem jeito”, completa.


    A Tarde
  • Mart’nália lança novo disco com canções inéditas

    23/01/2017

    Quando estava definindo os últimos ajustes de seu mais novo trabalho, Mart’nália ficou pensando em quem poderia ser o responsável pelo texto de divulgação para a imprensa. Foi então que surgiu o nome de um amigo de longa data, Miguel Falabella. “Ele é um cara que consegue se conectar com todas as energias. Quando li o texto que ele escreveu sob encomenda, fiquei tão envaidecida que me segurei, porque não sou de chorar. Miguel me entende bem, tem um colo bom. É como um pai”, afirma.

    diretor e dramaturgo, que levou a filha de Martinho da Vila para a televisão – como Tamanco, no seriado Pé na cova – definiu assim a artista e o espírito de seu álbum Mart’nália + Misturado, que acaba de ser lançado pela Biscoito Fino: “Ouvindo seu último trabalho, esse Misturado, assim batizado porque é o que é, na calada da noite, chegou-me a resposta de mansinho: Mart’nália canta para o mundo real, aquele que está bem ali, do lado de fora da porta e que sai descalço, de calça curta, senta na mureta e bebe todas (…) Mart’nália é aquilo que canta. Notável, desabrida, louca, livre, ela se mostra como é: misturada, brasileira, engraçada, poética e sempre autêntica em suas escolhas. Divirtam-se”.

    Após um projeto literalmente de bambas, o disco ao vivo Mart’nália em samba, a cantora e compositora quis dar uma “acalmada” e voltar-se para si mesma. O repertório contempla oito faixas inéditas e sete regravações e passeia por vários nomes da história da MPB, como Lupicínio Rodrigues (Ela disse-me assim/Loucura), Gilberto Gil (Estrela), Djavan (Linha do Equador), Caetano Veloso (Tempo de estio), Teresa Christina e Mosquito (Ouvi dizer), Zé Katimba (Vem cá, vem cá…), além do cantor e compositor do Congo Lokua Kanza (Si tu pars). “O disco do samba tomou muito tempo, e estava na hora de focar em outras coisas. Como tenho uma plateia de várias idades, eu quis contemplar artistas de todas as gerações. Desde aqueles que a moçada curte até o que as coroinhas também gostam, que, por sinal, eu também adoro. É a minha praia (risos)”, diz.

    Um dos destaques do disco é o dueto inédito com Geraldo Azevedo em Se você disser adeus, composta por Geraldo e Capinan, especialmente para ela. O repertório de músicas novas reúne ainda a parceria de Mart’nália com Mombaça (Tomara) e com Zélia Duncan, Arthur Maia e Ronaldo Barcellos (Libertar), além de Melhor para você (Tom Karabachian/Cris Sauma) e Sem dó (Rodrigo Lampreia, Beto Landau e Maurício Pessoa). “Este disco tem a minha cara e, ao mesmo tempo, é uma forma de homenagear as pessoas que admiro”, resume.

    BÊNÇÃO DO PAI

    Martinho da Vila também está presente no álbum. Mas nada foi combinado, segundo conta Mart’nália. A cantora diz que um não costuma interferir no trabalho do outro e, geralmente, ela só mostra o disco ao pai quando ele já está “meio pronto”. “Não tem essa coisa de pedir bênção, não. A bênção é eu colocar uma música dele no meu CD. Eu disse a ele que estava gravando e, um dia, papai apareceu de bobeira. Nem era para ele cantar, mas não teve jeito”, diverte-se.

    A música que abre o disco acabou sendo um samba de Martinho, de 1976, Ninguém conhece ninguém, que traz versos bem representativos para Mart’nália. “Costumo escolher as canções dele que nem são tão conhecidas. Gosto muito das mais antigas, como essa. Acho a letra dessa música bem interessante: ‘Ninguém conhece ninguém/Pois dentro de alguém, ninguém mora/ Há quem acorda sorrindo e na mesma manhã, também chora’”, cita.

    Enquanto a turnê de Mart’nália Misturado não começa para valer – em Belo Horizonte, ela vai se apresentar em 30 e 31 de março e 1º de abril, no Palácio das Artes – a artista carioca já está esquentando os tamborins. Integrante da ala de compositores da Vila Isabel, sua escola do coração, ela está empolgada com o carnaval, apesar das dificuldades financeiras enfrentadas pela agremiação. “O enredo deste ano, O som da cor, tem muito a ver com essa coisa da mistura das nossas origem musicais e vai contar na avenida a origem africana dos estilos musicais no continente americano. Vai ser bonito”, afirma.


    Ana Clara Brant, Diário de Pernambuco
  • Mistura despojada

    21/01/2017


    Laura Fernandes, Correio - Salvador
  • 'Tenho medo de me autoplagiar', revela Mart'nália

    21/01/2017

    Cantora carioca conversa com o CORREIO sobre seu novo álbum + Misturado, seu apartamento em Salvador e revela que tem preguiça de compor

    Espírito de moleca no corpo de uma mulher de 52 anos, sendo 30 deles dedicados à carreira de cantora. Carioca, Mart’nália não tem pudor em admitir que tem preguiça de compor e medo de se autoplagiar a cada novo trabalho. “Tento sempre deixar na mão de quem já me conhece, que sabe que vou ficar à vontade de chegar mais tarde no estúdio”, gargalha a cantora ao telefone.

    E foi exatamente isso o que Mart’nália fez em seu sétimo álbum de estúdio + Misturado, que sai pela Biscoito Fino. Filha do sambista Martinho da Vila, ela convidou um time de músicos para dirigir e produzir seu novo trabalho: os baixistas Arthur Maia, Ivan Machado e Dadi, o violonista Cláudio Jorge e o cantor Zé Ricardo, todos responsáveis por criar arranjos e dirigir a anfitriã no estúdio, em momentos separados de cada faixa.

    A cantora Mart’nália lança o álbum + Misturado e participa do Sarau Du Brown dia 19 de fevereiro

    Não só a “preguiça” guiou a decisão, mas a vontade de não ficar presa a um único gênero musical como o samba, que marcou seu último trabalho: o DVD Mart’nália em Samba - Ao Vivo (2014). Assim, com estilos diferentes, os músicos e produtores deram toques autorais às músicas que investem no pop, mas também passeiam pela soul music carioca, pelo ijexá e pelo samba.

    “O mergulho nesses sons todos permite mostrar sonoramente a minha mistura, que a gente esquece de vez em quando. Depois do Ao Vivo em Samba, meio que enjoei do samba e quis cantar outras coisas, uns popzinhos, umas baladas. Aí comecei a fazer um show chamado Mais Misturado, que deu origem ao disco”, explica a cantora, que estreia sua turnê no Rio de Janeiro, segue para Florianópolis e passa por Salvador em abril.

    O resultado da mistura pode ser visto nas 14 músicas do disco + Misturado, que tem participação do cantor carioca Martinho da Vila, do pernambucano Geraldo Azevedo e do cantor e compositor Lokua Kanza, do Congo. Oito músicas inéditas compõem o repertório, ao lado de sete regravações dedicadas a mestres de Mart’nália e da música popular brasileira. Entre eles estão Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Djavan e Lupicínio Rodrigues (1914- 1974).

    Coroas

    Claro que o jeitão despojado de Mart’nália ditou outros aspectos do seu novo trabalho, como a escolha do repertório. “Sempre vou pedindo quando vou me esbarrando com as pessoas. Qualquer festa e show que eu vá eu vou pedindo música”, entrega, rindo.

    Presente de aniversário, o samba Se Você Disser Adeus é uma das inéditas. Composição feita para Mart’nália pelo cantor pernambucano Geraldo Azevedo e pelo poeta baiano José Carlos Capinan, a música estava prevista para entrar no álbum anterior, mas acabou ficando guardada esperando uma nova oportunidade. “Eu disse a eles ‘no próximo disco ela vai estar. Vou gravar nem que seja um disco de xote!’”, diverte-se Mart’nália.

    Mart’nália gravou composição de Geraldo Azevedo, que canta no disco

    Geraldo Azevedo conta que ficou lisonjeado em ter sido convidado para cantar no disco. “Foi uma surpresa”, conta. “Sempre admirei Mart’nália porque ela tem uma personalidade muito extrovertida, é uma pessoa solta. Tenho certeza que fizemos a música certa pra ela”, completa.

    Entre as regravações está a canção Ninguém Conhece Ninguém, de Martinho da Vila, que canta com a filha nesse disco. Além da música gravada por Martinho no álbum Meu Laiáraiá (1970), + Misturado conta com a regravação de Tempo de Estio, de Caetano Veloso (1977); Estrela, de Gilberto Gil (1981); e Ela Disse- me Assim, de Lupicínio Rodrigues e eternizada na voz de Maria Bethânia.

    “Fui fazendo em forma de homenagem, com músicas pra minhas ‘veinhas’, meus ‘veinhos’, meus coroas”, brinca Mart’nália, ao explicar por que o título das regravações aparecem no disco com uma mensagem do lado: “para Caetano”, “para Gilberto Gil” etc. “É um carinho para as pessoas que fazem e fizeram parte da minha vida. Eles que me regem a vida”, completa.

    A música dedicada a Bethânia, por exemplo, foi um agradecimento pelos ensinamentos da ídola que já dirigiu Mart’nália. “Quis devolver em carinho. Foi uma homenagem pra minha cabocla”, comenta a admiradora. Gil, por outro lado, “é um tio-guru”. “Ainda não chegou ninguém melhor que eles, não. Essa geração me fez misturar”, completa sobre os homenageados do disco.


    Correio 24 Horas
  • Mart'nália fala sobre show de lançamento da nova turnê em Florianópolis

    19/01/2017

    A apresentação do CD "+ Misturado", gravado no Rio de Janeiro, ocorre nesta sexta-feira, no teatro do CIC

    A cantora Mart’nália faz show em Florianópolis nesta sexta-feira, no teatro do CIC, às 21h. A carioca traz o show de lançamento da turnê “+ Misturado”, gravado no início de janeiro, no Circo Voador, no Rio de Janeiro. O álbum não teve um produtor musical, mas contou com os baixistas Arthur Maia, Ivan Machado e Dadi, mais o violonista Cláudio Jorge e o cantor Zé Ricardo nos arranjos e direção de estúdio em diferentes faixas. Por fim, foi Mart’nália quem decidiu o que entrava ou não.

    Mart'nália apresenta o 10º CD da carreira - Marta Azevedo/Divulgação/ND

    O 10º trabalho da artista é regado a samba e releituras de canções de compositores fundamentais na formação musical dela, como "Ninguém conhece ninguém" (Martinho da Vila), "Estrela" (Gilberto Gil), "Tempo de Estio" (Caetano Veloso) e "Linha do Equador" (Djavan/Caetano Veloso). Entre as inéditas estão "Se você disser adeus" (Geraldo Azevedo e Capinan), "Melhor para você" (Tom Karabachiane Cris Sauma), "Tomara" ( Mart'nália e Mombaça). Críticos afirmam que o novo álbum tem a cara e a leveza da cantora, ou melhor dizendo, suas “mart’nalices”.

    Confira a entrevista feita por e-mail com a cantora

    ND - O CD novo acabou de sair do forno. Como foi pra você selecionar o que entrava ou não nesse álbum? Qual foi o critério?

    Mart’nália - Comecei a pensar no disco já em fevereiro e com isso fui juntando as coisas que me interessavam, assim como as regravações. Começamos a gravar em meados de agosto, e em novembro já estava com ele pronto. O critério foi escolher as coisas que sempre quis cantar e que realmente me emocionavam, o que eu achava que seria minha cara.

    ND - Que tipo de misturas tem nesse novo trabalho? O que você destaca?

    Mart’nália - A começar pelos produtores que são cinco. Isso já é uma diferença e uma mistura incrível. Depois pelos ritmos que são vários também. Vou de Caetano Veloso, Djavan, Gilberto Gil, meu pai Martinho da Vila até Lupicínio Rodrigues. Tem canções minhas e outras pessoas como Zé Katimba, que sempre foi parceiro de meu pai e hj fui eu quem fiz com ele a canção. O destaque vai para a romântica balada do Zé Ricardo (black music) que se chama “Eu te quero agora”, um tremendo mela cueca como falamos aqui no Rio (risos)

    ND - Li que você queria incluir coisas que não fossem só samba. Porque, existe uma vontade de não se limitar só a samba?

    Mart’nália- Nunca me limitei só a samba, nem no meu primeiro disco. O único que limitei a samba foi feito por meu pai, anterior a este que se chamava “Mart’nália em Samba”. O resto sempre fui misturada.

    ND - Que outros tipos de músicas você que curte que acredita que te influenciam musicalmente?

    Mart’nália - A black music, montown sempre foram importante, além de Nana Caymmi, de Djavan, de Gil, de Caetano, alám de meu pai, Ivan Lins, João Bosco. Ouço de um tudo, sempre fui assim.

    ND - São 30 anos de carreira em 2017. Esse CD também é uma mistura de tudo que viveu?

    Mart’nália – Bem, eu me considero cantora a partir de 2002 (risos), mas lancei meu primeiro LP (ainda era LP) em 1987. Mas acho que sempre tudo se mistura, por isso que sempre é bom ter certeza do que se grava, pois as músicas ficam para sempre representadas por você.

    ND - Por fim, como você espera que seja o show em Floripa? Conhece a cidade?

    Mart’nália - Conheço a cidade sim, já fiz alguns shows aí e foram incríveis. Acho as pessoas felizes e lindas. Adoro ostras e tainha, e acho que o publico terá um super show com os sucessos e as novas canções tudo “+ misturado”.


    Notícias do Dia
  • Tudo junto e misturado

    18/01/2017

    Mart’nália: canções inéditas de Geraldo Azevedo, Tereza Cristina e Zélia Duncan e regravações de hits de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Djavan, Lupicínio Rodrigues e do pai Martinho da Vila

    Não havia estação mais propícia para Mart´nália lançar seu novo álbum: "+ Misturado". Descontraído e solar, o novo CD da cantora carioca tem a cara do verão. Após passear pelo terreno pop no disco "Não Tente Compreender" (2012) e retornar à roda de bambas em "Mart´nália em Samba" (2014), a artista conseguiu equalizar harmoniosamente seu talento como sambista e suas inquietações em busca de sonoridades mais contemporâneas. Editado pela gravadora Biscoito Fino, o recém-lançado trabalho reúne canções inéditas assinadas por Geraldo Azevedo, Tereza Cristina e Zélia Duncan e regravações de hits compostos por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Djavan, Lupicínio Rodrigues e pelo pai Martinho da Vila.

    O caldeirão sonoro de Mart´nália.Suingue continua marcado pela leveza. Após ter álbuns produzidos por grandes feras da música popular brasileira como Caetano Veloso (Pé do Meu Samba - 2002), Maria Bethânia (Menino do Rio – 2006) e Djavan (Não Tente Compreender – 2012), a cantora entregou a produção de seu mais recente álbum a seis competentes músicos: Arthur Maia, Claudio Jorge, Dadi, Humberto Mirabelli, Ivan Machado e Zé Ricardo. O resultado é uma saborosa mistura musical que pode ser apreciada nas 14 faixas do CD.

    O repertório é aberto com o contagiante samba "Ninguém Conhece Ninguém", música composta e gravada por Martinho da Vila e, 1970. O autor divide o microfone com a filha em arranjo que destaca a percussão rítmica. Mart'nália também deu nova roupagem a "Tempo de Estio", ode ao Rio de Janeiro gravada por Caetano Veloso em 1977. Ainda no terreno das regravações, a carioca imprime batuques adicionais a "Linha do Equador", sucesso de Djavan composto em parceria com Caetano Veloso. E ainda surpreende ao emprestar menor dramaticidade a dois temas do gaúcho Lupicínio Rodrigues: "Ela Disse Me Assim" e "Loucura". Ainda no terreno da delicadeza, a cantora dá voz à "Estrela", pérola de Gilberto Gil lançada em 1981 e a "Si Tu Pars" música gravada em 2005 pelo cantor e compositor do congo Lokua Kanza, que canta sua obra em dueto com a brasileira.

    Na seara das canções inéditas, Mart´nália comanda a roda na faixa "Ouvi Dizer", partido alto que marca a primeira parceria entre os sambistas Teresa Cristina e Mosquito. Outro samba inédito que merece destaque é "Se Você Disser Adeus", assinado pelo baiano José Carlos Capinam juntamente com Geraldo Azevedo, cantor convidado para interpretar a faixa com a cantora carioca. Ainda surfando nas ondas da leveza, Mart´nália canta suas musas sensuais em "Sem dó" (Rodrigo Lampreia, Beto Landau e Maurício Pessoa) "Melhor pra Você" (Tom Karabachian e Cris Sauma), além de mostrar seu lado romântico na balada "Eu Te Quero Agora" (Zé Ricardo) e fazer tributo à liberdade em "Libertar"(Zélia Duncan, Mart'nália, Arthur Maia e Ronaldo Barcellos).

    Décimo primeiro álbum de sua discografia, "+ Misturado" acerta ao apostar na personalidade artística plural de Mart’nália. Contagiante, o suingue da carioca entra em perfeita sintonia com o alto astral da estação mais ensolarada do ano.


    Marcos Roman, FOLHAweb
  • O samba de sempre, agora mais misturado

    16/01/2017

    Sambista retorna ao mercado com disco “+Misturado”, cantando de Caetano a Lupicínio

    Diferente de muitos artistas que chegam ao mercado por pertencer a uma linhagem de berço da música brasileira, Mart’nália não fez de Martinho da Vila, seu pai, uma escora. Mesmo entoando o samba de raiz – que parece estar mesmo em seu sangue. Em seu sétimo disco, “+Misturado” (Biscoito Fino), a cantora carioca escolhe mais uma vez o repertório a dedo, incluindo de Caetano a Martinho, mas voltando a transitar por baladas românticas. Com um detalhe: tudo praticamente produzido por ela mesma.

    Como é de praxe no momento de fazer um disco, Mart’nália convida músicos apenas para tocar, experimentar. E não para delimitar suas influências. Em “+Misturado” ela reuniu os baixistas Arthur Maia, Ivan Machado e Dadi, além do violonista Cláudio Jorge e do cantor Zé Ricardo. O papel deles foi criar arranjos isolados para as músicas. Depois, Mart’nália escolheu o que cabia em suas maluquices.

    O resultado é mais um daqueles discos de samba com repertório talhado a muita malemolência. De Caetano Veloso, que ela esperava uma inédita, mas que não chegou a tempo para finalizar o disco, a cantora regravou “Tempo de Estio”, conhecida na regravação de Marcelo Costa Santos. Na mesma linha, ela conferiu toda a sua rouquidão à clássica “Estrela”, de Gilberto Gil, e também “Linha do Equador”, parceria de Caetano Veloso com Djavan – selando a parte mais verão do disco, diretamente ligada ao samba tradicional.

    A onda romântica de Mart’nália começa a aparecer com certa timidez nas interpretações de “Ela Disse-me Assim”/“Loucura”, um pout-porri sofrência de Lupicínio Rodrigues, e “Si Tu Pars”, de Lokua Kanza. São músicas que fazem lembrar o quanto o timbre rouco e malandro da cantora caem bem em músicas mais lentas e muitas vezes mais afetivas – assim como ela fez com o sucesso “Cabide”.

    Essa busca por uma linguagem pop redonda e radiofônica levou Mart’nália a recorrer às canções certeiras de Paulinho Moska. Dele, ela interpreta a suave “Melhor Pra Você” – com um arranjo minimalista de piano, em caráter quase inédito para a trajetória da artista.

    Além disso, mesmo já tendo declarado achar uma chatice compor, Mart’nália traz ao disco três temas autorais bastante festivos: “Tomara” (com Mombaça), “Libertar” (de Arthur Maia e Ronaldo Barcellos, mas com letra de Mart’ália e Zélia Duncan) e em “Vem Cá, Vem Cá”, parceria com Zé Katimba e André da Mata. Não é um disco de sucessos absolutos, mas mais uma joia na carreira dessa malemolente carioca.


    O Tempo - Magazine
  • Faixa a Faixa - Mart'nália

    16/01/2017

    A Mart'nália nos contou um pouco de cada faixa do seu novo álbum + Misturado.

    clique aqui


    Deezer
  • O samba de sempre, agora mais misturado

    16/01/2017


    Lucas Simões, O Tempo - BH
  • Carisma é seu trunfo

    12/01/2017


    João Máximo, Gazeta de Alagoas - Maceió
  • Exacerbando as "Mart'Nalices"

    12/01/2017


    Silvio Essinger, Gazeta de Alagoas - Maceió
  • Martnália faz show de lançamento de novo disco em Floripa

    12/01/2017

    O trabalho, regado a muito samba, traz algumas releituras de canções de compositores fundamentais na formação musical de Mart’nália: “Ninguém conhece ninguém”, (de Martinho da Vila), “Estrela” (de Gilberto Gil), “Tempo de Estio” (de Caetano Veloso), “Linha do Equador” (de Djavan/Caetano Veloso) e o medley das clássicas “Ela disse-me assim”, “Loucura” e “Si tu pars”.

    No repertório de inéditas estão: “Se você disser adeus” (composta por Geraldo Azevedo e Capinan e feita para Mart’nália), “Melhor para você” (de Tom Karabachiane Cris Sauma), “Tomara” (parceria de Mart’nália e Mombaça), “Libertar” (Zélia Duncan, Arthur Maia e Ronaldo Barcellos), “Vem cá, vem cá...” (de Mart’nália, Zé Katimba e André da Mata), “Sem dó” (de Rodrigo Lampreia, Beto Landau e Maurício Pessoa), “Ouvi dizer” (samba-bossa nova de Teresa Cristina e Mosquito) e Eu te quero agora (de Zé Ricardo).

    O show promete animar a plateia com muito samba e alegria, componentes típicos dessa cantora carioca querida pelos brasileiros.


    Portal da Ilha
  • EXACERBANDO AS ‘MART’NALICES’

    12/01/2017

    Não teve exatamente um produtor musical no sétimo álbum de estúdio de Mart’nália, + Misturado. Os baixistas Arthur Maia, Ivan Machado e Dadi, mais o violonista Cláudio Jorge e o cantor Zé Ricardo, fizeram arranjos e a dirigiram no estúdio, separadamente, em diferentes faixas. No fim das contas, foi a cantora quem decidiu o que entrava ou não.

    “As canções foram chegando, e eu fui gravando. Nos meus discos, o produtor geralmente está ali para me podar num excesso de mart’nalice. Neste, a mart’nalice foi exacerbada”, avisa ela, que vinha do CD/DVD Em samba! Ao vivo (2014), no qual foi dirigida pelo pai, Martinho da Vila.

    “No final (da temporada do show do disco), eu já estava meio que cansada de ficar sambando, sambando, sambando, pulando, pulando, pulando... No ano passado, comecei a fazer outro show, o Mart’nália misturado. Aí fui misturando mais e cheguei à conclusão que o disco tinha que ser isso, + Misturado.

    Mas foi um samba – de Martinho, daqueles de que Mart’nália mais gosta – o escolhido para abrir o álbum: Ninguém conhece ninguém. “É um samba com uma letra ainda muito atual (“Nunca se pode afirmar que alguém é assim ou assado”, diz um dos versos). Meu pai sempre foi misturado, sempre gravou tudo muito misturado. Ele fala que a gente não pode ficar esperando sempre a mesma coisa, que as pessoas mudam com o tempo”, explica.

    A cantora esperava por uma canção inédita de Caetano Veloso (produtor do seu álbum de 2002, Pé do meu samba), mas ela não chegou a tempo. Assim, Mart’nália resolveu regravar, à sua maneira, Tempo de estio, do baiano, que foi sucesso na versão discothèque do cantor Marcelo.

    “De um tempo para cá, eu comecei a sonhar com essa música. Eu lembrava do Marcelo, daquela alegria da década de 1980. Ele chegou cabeludaço, meio andrógino, praiano, com uma liberdade que hoje em dia está ficando difícil de se ver”, suspira Mart’nália, que, por outro lado, optou por não pedir uma inédita de Gilberto Gil e releu Estrela. “Eu sempre acho que as músicas do Gil foram feitas para eu gravar!”.

    Djavan (que produziu o álbum de 2012 de Mart’nália, Não tente compreender) entrou com uma música bem conhecida, com cara de verão: Linha do Equador, parceria com Caetano.


    Gazeta de Alagoas
  • Mart'nália canta para Rio ficar 'odara' na bela estreia do show '+ Misturado'

    08/01/2017

    No show + Misturado, Mart'nália canta para o mundo ficar odara. Pelo menos o mundo composto pelo público da artista carioca. Parte desse público vibrou quando o nome da cantora e compositora foi anunciado no palco do Circo Voador já na primeira hora deste domingo, 8 de janeiro de 2017. Casualmente vestida com figurino no qual (não por acaso) se lia "Paz de janeiro", Mart'nália esteve em casa na estreia nacional do show baseado no 11º álbum de carreira fonográfica que já completa 30 anos em 2017.

    Aos 51 anos de vida, Mart'nália costuma ficar em cena com a cuca e o corpo odara. Recém-lançado pela gravadora Biscoito Fino, + Misturado é também um disco odara que pratica o desapego, inclusive das musas amadas, e exercita a leveza pop entre boas inéditas e regravações bem sacadas como a de Tempo de estio (1977), canção já quarentona de Caetano Veloso que permanece jovial e que, no mashup do bis do show de Mart'nália, se afinou com Odara (1977) ao ser amalgamada com essa outra canção composta por Caetano há 40 anos no mesmo tom feliz e desencanado.

    O disco + Misturado já é bem sedutor. Contudo, o show + Misturado é mais sedutor ainda. A desenvoltura de Mart'nália em cena é contagiante. Como o repertório é geralmente pautado pela leveza (clique aqui para ver o roteiro), o astral do show se manteve elevado ao longo das cerca de duas horas da calorosa apresentação. Várias músicas do disco cresceram no show. Tomara (Mombaça e Mart'nália, 2017) ganhou ginga, preparando o clima para a apoteose do samba Cabide (Ana Carolina, 2006) e para a oportuna lembrança de Ela é a minha cara (Celso Fonseca e Ronaldo Bastos, 2008), hit do disco mais feliz de Mart'nália, Madrugada (2008).

    Aliás, o roteiro resultou bem amarrado, aproximando duas baladas de inspiração soul e versos apaixonados, Eu te quero agora (Zé Ricardo, 2017) – uma das boas novas do álbum + Misturado – e Namora comigo (Moska, 2012), joia do álbum Não tente compreender (2012), no qual Mart'nália incursionou, com sofisticação (mas com menor dose de espontaneidade), pelo universo musical de Djavan, produtor do disco. O link das canções Onde anda você? (Hermano Silva e Vinicius de Moraes, 1974) e Si tu pars (Lokua Kanza, 2015) – apresentadas com Mart'nália sentada – também se mostrou inspirado, assim como a aproximação do abaianado samba Nas águas de Amaralina (Nelson Rufino e Martinho da Vila, 1994) com o inédito samba de Geraldo Azevedo e José Carlos Capinam, Se você disser adeus, mais envolvente no show do que no disco (embora em ambos tenha o toque nordestino do acordeom de Kiko Horta).

    Melhor pra você (Tom Karabachain e Cris Sauma, 2017) também ganhou mais calor em cena, acentuando a vocação popular e tom desencanado da mistura pop do disco de Mart'nália. Nessa mistura, a cantora vai além do samba sem deixar de pisar no nobre quintal em que foi criada pelo pai, Martinho da Vila, compositor de grande achado do repertório do disco, Ninguém conhece ninguém (1968), samba tão irresistível quanto o altíssimo partido Ouvi dizer (2017), samba maroto dos já parceiros Mosquito e Teresa Cristina que, embora seja novidade, já soou no show como um hit dos pagodes dos anos 1980. Ficou com a cara de Mart'nalia, assim como o dengo de Vem cá, vem cá... (Zé Katimba, André da Mata e Mart'nália, 2017).

    Se não tivesse revivido Essa mania (Res't la mayola) (Alain Peters em versão em português de Moska e Mart'nália, 2006), música que surtiu pouco efeito no público que encheu a pista e as arquibancadas do Circo Voador, a cantora teria feito show perfeito. Mas é detalhe pequeno. Com sotaque carioca, como acentuou Arpoador (Mombaça e Mart'nália, 2005), música lançada na trilha sonora da novela A lua me disse (TV Globo, 2005), + Misturado é show para quem cultua a felicidade e a leveza.

    "Don't worry, be happy", aconselhou Martnália já no fim, em inglês despreocupado, ao cantar o sucesso lançado pelo cantor norte-americano Bobby McFerrin em 1988 e regravado pela cantora trinta anos depois no CD Madrugada. Não se preocupe e fique feliz: é impossível não ficar odara com o canto descolado de Mart'nália no show + Misturado. (Cotação: * * * * 1/2)


    Mauro Ferreira, G1
  • +MISTURADO – O SOM NOSSO DE CADA DIA

    07/01/2017

    Eu poderia contar algumas histórias sobre Mart’nália,já que temos nos cruzado na vida,e na arte,repetidas vezes,mas essa não é a ocasião.Estou aqui para celebrar a intérprete, que nos apresenta seu +Misturado, uma coletânea de sambas e canções que afagam o coração, desde a primeira batida, na homenagem a seu grande pai, já que é de Martinho da Vila o clássico Ninguém conhece Ninguém, a faixa de abertura. Depois da reverência, as portas permanecem abertas para os ritmos, vozes, convidados daqui e d’além-mar, todos especialíssimos, que nos tomam pela mão e nos apresentam iguarias que Mart’nália vai nos servindo com a simplicidade e o talento usuais. Sempre tive uma conexão muito forte com ela, isto é público e notório, sempre admirei sua liberdade e estilo único. E sempre me perguntei de onde viria esse entendimento, esse consentimento, esse prazer de se estar perto, já que temos histórias e formações tão diferentes. Ouvindo seu ultimo trabalho, esse +Misturado, assim batizado porque é o que é, na calada da noite, chegou-me a resposta de mansinho: Mart’nália canta para o mundo real, aquele que está bem ali, do lado de fora da porta e que sai descalço, de calça curta, senta na mureta e bebe todas, como a musa de Tomara, sua parceria com Mombaça. E talvez seja esse o segredo da conexão que ela estabelece imediatamente com todos aqueles que têm a oportunidade de ouvi-la e/ou assisti-la. Mart’nália nos sussurra palavras de amor num dialeto que todos entendemos perfeitamente, pois sua cadência é aquela do incendiado subúrbio carioca, uma sonoridade que rompeu as barreiras geográficas e é percebido em grande parte do país. Ao longo das quatorze faixas desse trabalho, Mart’nália nos apresenta alguns de seus encontros notáveis, trazendo suas particularíssimas leituras de Gil e Caetano, brindando com Teresa Cristina, Zélia Duncan, Geraldo Azevedo, Zé Ricardo, Djavan, Lokua Kanza e outros notáveis, o prazer de fazer música. E como se não bastasse, ela ainda nos oferece de quebra, tocando uma corda de cada coração, sua honesta leitura de Lupicínio Rodrigues, que ela não por acaso oferece a Maria Bethânia. Chega-se ao fim de +Misturado com a sensação de que Mart’nália é uma velha amiga que acalenta nosso cotidiano com seu canto. E traz, em cada nota, um pouco da história de todos nós. A sensação não é ilusória, acreditem! Mart’nália é aquilo que canta. Notável, desabrida, louca, livre, ela se mostra como é: misturada, brasileira, engraçada, poética e sempre autêntica em suas escolhas. Divirtam-se.
    Janeiro de 2017.


    Miguel Falabella
  • Mart’nália exacerba as suas ‘mart’nalices’ em novo disco

    07/01/2017

    RIO - Não teve exatamente um produtor musical o sétimo álbum de estúdio de Mart’nália, “+ Misturado”, cujo show de lançamento acontece hoje no Circo Voador. Os baixistas Arthur Maia, Ivan Machado e Dadi, mais o violonista Cláudio Jorge e o cantor Zé Ricardo, fizeram arranjos e a dirigiram no estúdio, separadamente, em diferentes faixas. No fim das contas, porém, foi a cantora quem decidiu o que entrava ou não.

    — As canções foram chegando, e eu fui gravando. Nos meus discos, o produtor geralmente está ali para me podar num excesso de mart’nalice. Neste, a mart’nalice foi exacerbada — avisa ela, que vinha do CD/DVD “Em samba! Ao vivo” (2014), no qual foi dirigida pelo pai, Martinho da Vila. — No final (da temporada do show do disco), eu já estava meio que cansada de ficar sambando, sambando, sambando, pulando, pulando, pulando... No ano passado, comecei a fazer outro show, o “Mart’nália misturado”. Aí fui misturando mais e cheguei à conclusão que o disco tinha que ser isso, “+ Misturado”.

    Mas foi um samba — de Martinho, daqueles de que Mart’nália mais gosta — o escolhido para abrir o álbum: “Ninguém conhece ninguém”.

    — É um samba com uma letra ainda muito atual (“Nunca se pode afirmar que alguém é assim ou assado”, diz um dos versos). Meu pai sempre foi misturado, sempre gravou tudo muito misturado. Ele fala que a gente não pode ficar esperando sempre a mesma coisa, que as pessoas mudam com o tempo — explica.

    A cantora esperava por uma canção inédita de Caetano Veloso (produtor do seu álbum de 2002, “Pé do meu samba”), mas ela não chegou a tempo. Assim, Mart’nália resolveu regravar, à sua maneira, “Tempo de estio”, do baiano, que foi sucesso na versão discothèque do cantor Marcelo.

    — De um tempo para cá, eu comecei a sonhar com essa música. Eu lembrava do Marcelo, daquela alegria da década de 1980. Ele chegou cabeludaço, meio andrógino, praiano, com uma liberdade que hoje em dia está ficando difícil de se ver — suspira Mart’nália, que, por outro lado, optou por não pedir uma inédita de Gilberto Gil e releu “Estrela”. — Eu sempre acho que as músicas do Gil foram feitas para eu gravar!

    Djavan (que produziu o álbum de 2012 de Mart’nália, “Não tente compreender”) entrou com uma música bem conhecida, com cara de verão: “Linha do Equador”, parceria com Caetano.

    — O Dija me mandou umas antigas, que ninguém conhecia muito, mas me mandou umas mais para o samba. E eu não queria samba! Para esse disco, até quem não faz samba ficou me mandando samba! — reclama ela, sem perder o sorriso. — Não estava a fim de falar dos meus orixás nem de escola de samba, estava a fim de falar é das minhas misturas outras.

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    Na busca pelo pop perfeito para “+ Misturado’’, Mart’nália se lembrou de um de seus melhores amigos e fornecedores de canções: Moska.

    — A gente nunca conseguia se encontrar, mas esbarrei com o filho dele, o Tonton (Tom Karabachian), um moleque que eu vi na barriga da mãe. Tava num churrasquinho com a garotada quando ele me mostrou essa música (“Melhor pra você”) — relata. — Achei interessante buscar alguém novo. Eu pedi música para a minha sobrinhada, mas a maioria veio com samba. Ficaram com vergonha de mostrar pops!

    Já o lado compositora de Mart’nália está representado no novo disco na divertida “Tomara” (com Mombaça), em “Libertar” (de Arthur Maia e Ronaldo Barcellos, para a qual ela e Zélia Duncan fizeram letra) e em “Vem cá, vem cá” (com Zé Katimba e André da Mata).

    — Acho chato compor, porque a música fica na cabeça pro resto da vida, não sai nunca mais. Eu tenho preguiça de tudo, inclusive de fazer música. A gente nunca sabe direito quando terminou, e, além do mais, eu tenho medo de ficar me plagiando. Por isso, eu prefiro as parcerias — confessa.

    Para a cantora, “+ Misturado” resume a visão de todos os artistas que um dia a dirigiram em seus discos e shows:

    — A música do Lupicínio (a dobradinha “Ela disse-me assim”/“Loucura”), eu pus para a Bethânia, que sempre me pediu uma interpretação mais séria. Não sei se é porque eu tenho a boca grande, cheia de dentes, mas eu não consigo ficar muito séria. Mas acho que fui achando uma seriedade minha, sem forçar.

    Mas agora toda a sisudez desaba, já que é hora do seu tradicional show de abertura do verão no Circo Voador.

    — As pessoas ficam menos chatas e agressivas no verão — teoriza. — Todo mundo fica meio igual, afinal tá todo mundo suando!


    Silvio Essinger, O Globo
  • Mart’nália mistura canções em novo CD

    06/01/2017


    Jornal Metro - RJ
  • 'A ideia é fazer diferente'

    06/01/2017


    Sérgio Luz, O Globo
  • AO VIVO - MART'NÁLIA

    05/01/2017

    O colunista Leonardo Bruno recebe a cantora Mart'nália, que está lançando o CD "+ Misturado". O álbum tem participações de Martinho da Vila e Geraldo Azevedo, e conta com composições de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Teresa Cristina, Zélia Duncan e Djavan. Mart'nália lança o CD em show neste sábado, dia 7, no Circo Voador. #ExtraAoVivo

    https://www.facebook.com/jornalextra/videos/1474220665944212/


    Leonardo Bruno, Jornal Extra
  • Os novos sons de 2017

    04/01/2017


    Talita Rustichelli, Folha da Região - Araçatuba
  • Além do samba, álbum ‘+ Misturado’ tem a cara e a leveza de Mart’nália

    03/01/2017

    Mais do que a diversidade rítmica, a miscigenação explicitada no título do 11º álbum de Mart’nália – + Misturado, no mercado fonográfico a partir da próxima sexta-feira, 6 de janeiro de 2017, em edição da gravadora Biscoito Fino – reside no amálgama de produtores musicais de escolas e gerações diversas. Seis produtores – Arthur Maia, Claudio Jorge, Dadi, Humberto Mirabelli, Ivan Machado e Zé Ricardo – se revezaram na formatação das 14 faixas do bom disco gravado sob a direção da produtora executiva Marcia Alvarez e da própria Mart’nália. + Misturado tem a cara e a leveza pop da cantora e compositora carioca, que completa 20 anos de carreira fonográfica neste iniciante 2017.

    No último (ótimo) álbum de estúdio, Não tente compreender ( 2012), Mart’nália tirou o pé do samba e apostou na sonoridade de Djavan, produtor do disco. No posterior DVD e CD ao vivo, Mart’nália em samba! (2014), a cantora voltou a pôr os pés no quintal musical em que foi criada sob as bençãos de um dos maiores bambas do Brasil, Martinho da Vila, pai da artista e mentor do projeto fonográfico lançado há dois anos. + Misturado junta tudo. A maior recorrência dos nomes de Arthur Maia e Zé Ricardo na produção das faixas mostra que Mart’nália jamais deixa de fazer pulsar a veia black que saltou já na fase inicial da discografia da cantora, iniciada em 1987 com álbum de sonoridade tecnopop.

    Maia, aliás, produziu com Celso Fonseca o disco mais feliz de Mart’nália, Madrugada (2008), cujo sucesso Ela é a minha cara (Celso Fonseca e Ronaldo Bastos, 2008) ecoa nos versos de Tomara (Mart’nália e Mombaça, 2008), uma das oito músicas inéditas do miscigenado repertório de + Misturado. Contudo, Mart’nália é sempre fiel à nobre ascendência familiar. Tanto que abre o disco com delicioso e até então esquecido samba de Martinho da Vila, Ninguém conhece ninguém, gravado com a voz do pai. Com a cadência típica do samba do compositor fluminense, Ninguém conhece ninguém foi lançado em compacto de 1968 pelo Trio ABC – formado na década de 1960 por integrantes da escola Portela – e gravado por Martinho no álbum Meu laiáraiá (1970). O samba soa como se fosse inédito na gravação de Mart’nália com Martinho, produzida por Ivan Machado, bamba dos estúdios. É uma das boas sacadas de repertório que atinge pico de sedução na regravação de Tempo de estio (Caetano Veloso, 1977), primorosamente produzida e arranjada por Dadi. Acertadamente escolhido como primeiro single do álbum, Tempo de estio tem o estilo alegre e descontraído de Mart’nália. Tem a luz que faltou para iluminar toda a beleza de Estrela (Gilberto Gil, 1981).

    É com o habitual alto astral que a cantora repisa no quintal do samba para dar voz a uma joia inédita composta por Teresa Cristina com Mosquito, Ouvi dizer, primeiro título gravado de parceria promissora. É samba à moda do fundo dos quintais cariocas, prova de que Mart’nália agrega estilos em + Misturado sem renegar nada nem ninguém. Muito menos o ídolo Djavan. Tanto que, com arranjo e produção de Dadi, cruza a funkeada Linha do Equador (Caetano Veloso e Djavan, 1992) com descontração e paixão.

    No álbum, Mart’nália canta paixões por mulheres com a bossa que pauta o samba Sem dó (Rodrigo Lampreia, Beto Landau e Maurício Pessoa). Sim, + Misturado também é disco movido pelo desejo que guia a apaixonada balada Eu te quero agora (Zé Ricardo). “Pra você, eu me permito / Ser de fogão, cama e mesa”, avisa no tom dengoso do inédito samba Vem cá, vem cá… (Zé Katimba, André da Mata e Mart’nália), arranjado com toques de morna cabo-verdiana pelo produtor Zé Ricardo com Maurício Piassarollo. À vontade na apaixonada rota fluminense de Libertar (Zélia Duncan, Mart’nália, Arthur Maia e Ronaldo Barcellos), Mart’nália se permite até liberar a musa amada em Melhor pra você (Tom Karabachian e Cris Sauma) com resignação que reverbera em Si tu pars (2005), boa música do cantor e compositor do congo Lokua Kanza, gravada por Mart’nália em dueto com o autor.

    Com outro convidado, Geraldo Azevedo, Mart’nália cai no samba Se você disser adeus, composto pelo artista pernambucano com letra de José Carlos Capinam, poeta baiano que versa sobre perda sem pesar no drama (o acordeom de Kiko Horta dá elegante toque rural à gravação). O canto de Mart’nália, afinal, é a antítese do drama. Daí que surpreende positivamente o medley que fecha o disco com duas pérolas do cancioneiro amargurado do compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues (1914 – 1974), Ela disse-me assim (Vai embora) (1959) e Loucura (1973), cantadas sem peso existencial, mas de forma sedutora, pela artista. A produção e o arranjo do violonista Cláudio Jorge, com ênfase no sopro do trompete de Jessé Sadoc, valorizam gravação que atesta a habilidade de Mart’nália para misturar músicas e produtores de diversos estilos sem sair do próprio tom. Nem tente compreender, pois trata-se daquele indefinível algo mais que uns artistas têm e outros não têm. Mart’nália tem.


    G1