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  • "Quebra-galho" na TV, Mart´nália cresceu com música e noitadas em casa

    28/07/2015

    Fruto do casamento do mítico sambista Martinho da Vila com a cantora Anália Mendonça, Mart´nália (cujo nome é uma junção dos nomes de seus pais) é uma das sambistas de maior ascensão no passado recente. Apesar do laço com o samba, ela diz que sempre fez uma música diversificada, não se prendendo ao estilo e cita a parceria com Djavan em “Não tente compreender” (2012): “esse (disco) além de ter o Djavan foi muito mais transado musicalmente. Eu adorei trabalhar com o Djavan e amo tudo que ele faz”.

    Um dos pontos principais da conversa foi a participação da cantora na televisão, seja como atriz ou como autora de músicas que fizeram parte da vida de muitos brasileiros, como na novela “Babilônia” (Rede Globo). “Ela, no entanto, não coloca no mesmo nível sua atuação de atriz com o desempenho nos palcos:” Sou atriz de um personagem só. Estou quebrando um galho e me divertindo um bocado”, diz a sambista, que fez o papel de Tamanco no seriado “Pé na Cova”, também da Globo. A relação com o pai, logicamente, também foi abordada nesse bate-papo.

    Leia a entrevista que fizemos com a Mart´nália:

    GT - Você é herdeira de dois músicos (Martinho da Vila e Anália Mendonça), cresceu rodeada de samba e de muita arte. Nos conte um pouco como foi a infância e adolescência numa casa tão sonora.

    Mart’nália - Foi de muita música e muitas noitadas embaladas por eles. Nossa casa era sempre cheia de gente, pois meu pai é bem politizado e escritor além de tudo.

    Eu nem sabia que eles eram artistas, depois crescendo é que fui me dando conta (risos). E isso continua até hoje.

    GT - “Mart´nália em samba!” foi produzido por seu pai e traz clássicos do gênero. Como foi a escolha do repertório? Como é a relação de vocês na música e na vida?

    Foi na minha casa (a escolha do repertório). Eu e eles nos encontramos umas três vezes e fomos montando o repertório, junto com feijoada e bate papos. Nossa relação é de paixão na vida e na música!

    Guitar Talks - Em 2014 chegou às lojas seu décimo trabalho, mas os dois primeiros, o LP “Mart’nália” (1987), e o CD “Minha Cara” (1997), você costuma dizer que foram “brincadeiras” de cantar. O que faltava ali para você se sentir a cantora que é?

    Nada. Era vocalista e nem pensava em fazer uma carreira solo, queria me divertir e poder viajar com meu pai.

    GT - “Não tente compreender” (2012) apresenta uma diversificação sonora além do samba. O que te inspirou a criar esse disco? Como os mais conservadores do gênero receberam o álbum?

    Acho que todo mundo gostou. Pelo menos todos que encontrei elogiam muito.Sempre fiz um repertório misturado, mas esse além de ter o Djavan foi muito mais transado musicalmente. Eu adorei trabalhar com o Djavan e amo tudo que ele faz.

    GT - Nos últimos anos seu lado atriz ganhou grande destaque, graças ao papel de Tamanco no seriado “Pé na Cova” (Rede Globo), de criação de Miguel Falabella. Como foi o convite? Você se imaginava atriz?

    Sou atriz de um personagem só. Estou quebrando um galho e me divertindo um bocado.Já tinha feito um musical com o Miguel chamado “Pé da arvore de Natal”. Se eu não me engano foi em 2005. Após isso, ficamos amigos e um dia ele me ligou perguntando se eu toparia fazer esse seriado. Fui a casa dele e ele me explicou o projeto. Eu topei na hora. Amo muito aquela família sinistra (risos).

    GT - Estreitando ainda mais a relação com a TV, sua versão de “Pra que Chorar” é tema de abertura da novela “Babilônia” (Rede Globo). Em sua opinião, é importante ter uma canção num produto como esse?

    Sim, claro. É bom conseguir entrar na casa das pessoas sem precisar ser convidada. E ver que todo mundo acaba conhecendo mais seu trabalho. Você leva a sua voz para um lugar que nem imagina. Agradeço o Gilberto Braga e todo o elenco de Babilônia, só tem fera!

    GT - Já ouvi você dizendo que cada disco tem a cara de seu produtor. Já sabe qual será a cara do próximo?

    A minha (cara) sempre. Não sei ainda com quem vou misturar.

    GT - Muito obrigado pela entrevista. Gostaria de deixar algum recado aos fãs e leitores do Guitar Talks?

    Me amarro em guitarra. No show “Não Tente Compreender” (2012), eu arriscava tocar a música que o Nando Reis fez para mim, “Zero Muito”. Obrigado pela entrevista e muita música para todos nós. Vamos poluir esse mundo de música boa!!!


    Marcos Ferreira e Felipe Madureira, Guitar Talks