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  • Recuperada

    28/06/2012


    Diário de Pernambuco - Recife - PE
  • Promessa cumprida

    20/06/2012


    Estado de Minas - BH
  • Tirando um pé do samba

    06/06/2012


    Laura Fernandes, Correio da Bahia - Salvador - BA
  • não tente rotular mart´nália

    04/06/2012

    "mudei de poesia e fui pro pop, sem cuíca, pandeiro e tamborim", avisa mart´nália no encarte do seu novo disco, apropriadamente chamado "não tente compreender". para produzir seu sexto álbum de estúdio, a filha de martinho da vila convocou djavan, influência musical assumida pela cantora que sempre namorou a chamada black music. embora o bom e velho samba ecoe aqui e ali, "não tente compreender" distancia a filha de martinho da vila do gênero musical que fez a fama da família ferreira e a reconecta à sonoridade de "minha cara" (1995), seu segundo disco. sim, muito antes de ser reconhecida nacionalmente através do samba, mart´nália já fazia um som pop, soul e black.

    o público preguiçoso e mal acostumado por artistas que oferecem mais do mesmo a cada lançamento pode demorar a compreender as escolhas musicais da personalíssima cantora que, acertadamente, foge do estereótipo de sambista, num movimento iniciado no álbum anterior, "madrugada" (2008).

    com seu caráter musical naturalmente agregador, mart´nália filtra a produção de compositores de diferentes gerações e estilos através da voz rouca e das divisões inconfundíveis. a ambiência soul obtida por djavan faz a cantora soar sedutora já na faixa que abre o disco, "namora comigo" (paulinho moska), bonita balada escolhida para divulgar o trabalho.

    "surpresa" (mart´nália / arthur maia / ronaldo barcellos) e "que pena, que pena... " (mart´nália / mombaça) evidenciam a opção da compositora carioca por não deixar a leveza de lado ao falar de amor.também assinada por mart´nália, em parceria com ivan lins e zélia duncan, "serei eu?" traz a marca indelével de ivan - artista que soou soul no início da carreira - e possibilita à cantora momento mais intenso, superado apenas pelo belo registro de "reversos da vida" (martinho da vila). "depois cura" (lula queiroga) comprova o crescente interesse das cantoras contemporâneas pela abrangente obra do compositor pernambucano, enquanto a faixa que nomeia o disco, "não tente compreender" (marisa monte / dadi), tira sua autora da atual zona de conforto das canções ultrarromânticas.

    mart´nália aparece à vontade em "itinerário" (max viana) e comprova a diferença que uma cantora faz, ao registrar pela primeira vez uma composição de nando reis, "zero muito". o ex-titã pode ter, finalmente, encontrado uma interprete para sua obra. o lugar está vago desde a prematura morte de cássia eller, não por acaso, outra cantora de forte personalidade que não se deixava rotular.

    curiosamente, gilberto gil e caetano veloso não embarcaram na proposta musical de mart´nália e ofereceram a ela os sambas "eu te ofereço" e "demorou", respectivamente, com leve vantagem para a composição de gil.

    "os sinais", do alagoano junior almeida, é a música que mais se aproxima do universo musical de djavan e se impõe como uma das melhores faixas de "não tente compreender".

    estrategicamente, um samba menos heterodoxo de adriana calcanhotto, "vá saber", gravado anteriormente pela própria autora e por marisa monte, encerra o disco. "sem cuíca, pandeiro e tamborim", mas com a autoridade de quem pode tirar o pé do samba quando quiser. aos 27 anos de carreira, mart´nália não precisa se submeter a preconceituosos enquadramentos estéticos. sua música vai muito mais além.


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