discografia

Mart'nália em Berlim ao vivo

Supervisão musical: Mart'nália
Direção, roteiro e concepção do show e do CD: Márcia Alvarez
Direção geral do DVD: Roberto de Oliveira
Projeto gráfico da capa: Arthur Fróes
Fotos: João Wainer
Direção geral: Maria Bethânia e Kati Almeida Braga
Direção artística: Maria Bethânia
Produção: Pedro Seiler
Assistente: Renata Mader

Gravado em Berlim, Copa da Cultura - evento realizado pelo Ministério da Cultura do Brasil em parceria com a Casa das Culturas do Mundo e Instituto Goethe da Alemanha.

faixas

  1. 1 - Pra Mart'nália
  2. 2 - Nas águas de Amaralina
  3. 3 - Menino do Rio / Estácio, Holly Estácio
  4. 4 - Essa mania (Rest la maloya)
  5. 5 - Cabide
  6. 6 - Boto meu povo na rua
  7. 7 - Benditas
  8. 8 - Celeuma / Fato consumado
  9. 9 - Entretanto
  10. 10 - Pretinhosidade
  11. 11 - Pé do meu samba
  12. 12 - Renascer das cinzas / Renascer das cinzas
  13. 13 - Casa 1 da vila / Tiro ao Alvaro / Formosa
  14. 14 - Alguém me avisou / Sonho meu
  15. 15 - Todo menino é um rei / Vazio
  16. 16 - Chega
  17. 17 - Sem compromisso / Deixa a menina
  18. 18 - Estácio, Holly Estácio

Mart’nália em Berlim
(Marcus Preto)

Metade da primeira década do novo milênio já se foi e uma coisa é mais do que certa no terreno da música popular brasileira: o samba voltou a ser a grande referência para a quase totalidade de artistas interessados em fazer música pop no país – ou, ao menos, para os que pretendem uma música pop legitimamente brasileira.

De acordo com isso, grande parte da nova safra de cantoras que despontaram por aqui nesses últimos cinco ou seis anos – e que, em outros tempos, empunhariam guitarras e partiriam para o pop-rock – estão fazendo do samba a base de seus trabalhos. Mais do que nunca, o processo de atualização da linguagem de cultura jovem nacional precisa do samba para acontecer.

Uma das cantoras mais interessantes que despontaram nesse período, Mart’nália colabora com tal processo fazendo o caminho oposto. Nascida no berço do samba, a artista não está nada interessada em preservar a estética tradicional do gênero. Tanto assim que transita por outros estilos sem nenhum pudor e com naturalidade desconcertante. Ela é, de longe, a figura mais naturalmente pop do universo do samba.

Na casa de Mart’nália, samba sempre foi a regra. Mas desobedecer a essa regra (e a muitas outras) seria mesmo o caminho natural. O pai Martinho não gostava muito quando pegava a filharada ouvindo música estrangeira. Já Dona Anália, sua mãe, gostava de ouvir outras coisas além do samba feito por ali: deixava o toca-discos ligado o dia inteiro e, com sua voz grave, acompanhava as gravações de Dalva de Oliveira,Ângela Maria, Carmem Miranda, Steve Wonder, Supremes e vários outros artistas da Motown. Com o pai, Mart’nália ia para as rodas de samba, seja as de Vila Isabel ou as de outras freguesias, e bebia direto da fonte o que nós, meros mortais, só podíamos beber às gotas, ouvindo os discos.

Todo esse percurso está visível no conjunto de canções recolhidas em Mart’nália em Berlim, pacote de CD e DVD que a Quitanda, selo de Maria Bethânia dentro da Biscoito Fino, coloca agora nas lojas. Concebido e dirigido por Marcia Alvarez, o espetáculo foi gravado no dia 16 de junho de 2006, na Casa das Culturas do Mundo (Hans Der Kulturen Der Welt), na capital alemã, durante a Copa da Cultura – evento realizado pelo Ministério da Cultura do Brasil em parceria com a Casa das Culturas do Mundo e Instituto Goethe da Alemanha. A direção do DVD ficou por conta de Roberto de Oliveira.

Baseada no show de Menino do Rio, álbum lançado no dia 2 de fevereiro de 2006, a apresentação de Berlim foi sucesso absoluto, com casa lotada e gente espalhada pelo chão – como se pode perceber nas imagens do DVD. Mas Mart’nália nem parece estar fora de casa e faz sua música com a mesma segurança, descontração e espontaneidade que sempre mostrou nas rodas de Vila Isabel.

A banda, que inclui sua irmã Analimar Ventapane no backing vocal e na percussão, vem quase toda da Vila: Alfredo “Doca” Machado (violão), Jorge Ailton (baixo e vocal), Menino Ovídio (cavaquinho e percussão), Cassiano (percussão), Jr. Crispin (percussão) e Macaco Branco (percussão).

É com essa turma, muito carisma e sua linda voz (sempre natural, sem impostações desnecessárias e extramusicais) que Mart’nália dá integridade e coesão a seu repertório, onde cabem, com a mesma coerência, um legítimo samba de raiz de Monsueto e um pop escancarado de Ana Carolina. Porque, para Mart’nália, tudo é samba – e samba é pop.

O REPERTÓRIO

“Pra Mart’nália”
(Fred Camacho/ Jorge Agrião)

Outro filho de Vila Isabel, Agrião fez esta letra especialmente para sua comadre Mart’nália, musicada em seguida por Fred Camacho. A gravação original está no álbum Menino do Rio (2006) e faz citações aos bambas do samba e suas grandes criações.


“Nas Águas de Amaralina”
(Martinho da Vila/ Nelson Rufino)

Gravado originalmente por Martinho no álbum Coisas de Deus (1997), este belíssimo samba-de-roda é homenagem à Rainha da Águas, que jamais “bancou vinganças no desamor”. A própria Mart’nália já havia relido este samba em uma gravação do grupo Batacotô (1994) do qual ela fez parte.


“Menino do Rio”/ “Estácio, Holly Estácio”
(Caetano Veloso) / (Luiz Melodia)

A Zona Sul carioca – de praia, céu e surf – pintada por Caetano em “Menino do Rio” se encontra com o Morro retratado por Melodia em “Estácio, Holly Estácio”. A idéia de agregar esses dois Rios em uma única faixa veio de Maria Bethânia.

“Essa Mania (Res’t la Maloya)”
(Alain Peters – versão: Mart’nália/ Moska)

Mart’nália e Moska assinam juntos a versão para a canção do francês Alain Peters, músico das Ilhas Reunião. Outra faixa retirada do álbum Menino do Rio (2006).

“Cabide”
(Ana Carolina)

Seguindo conselho de Maria Bethânia, Mart’nália foi atrás do baú de inéditas de Ana Carolina. Ganhou este samba desaforado, bem ao estilo da compositora mineira. A coreografia inventada por Mart’nália e seus músicos é impagável. “Cabide” está na trilha de “Paraíso Tropical”, próxima novela das oito da Globo.

“Boto meu Povo na Rua”
(Arlindo Cruz/ Acyr Marques/ Ronaldinho)

Samba em partido-alto também registrado em Menino do Rio (2006). Mart’nália deita e rola na história do malandro que, num último recurso para conquistar sua mina, apela para a macumba. Analimar, irmã e vocalista da banda de Mart’nália, mostra seu samba no pé “interpretando” a mulher difícil de conquistar da letra.

“Benditas”
(Mart’nália/ Zélia Duncan)

Primeira das canções feitas com Zélia, uma parceria que não pára de render novos frutos. Quando mandou uma letra para Mart’nália, Zélia esperava receber de volta um samba. Veio uma balada, registrada pelas duas no álbum Mart’nália ao Vivo (2005) e regravada por Zélia em seu Pré-Pós-Tudo-Bossa-Band (2005).

“Celeuma”/ “Fato Consumado”
(Djavan)

O compositor alagoano fez o samba “Celeuma” especialmente para Mart’nália, que o lançou em seu disco Mart’nália ao Vivo (2005), com a participação do próprio Djavan. No show de Berlim, a cantora incluiu o clássico “Fato Consumado” no pequeno pot-pourri djavaniano.

“Entretanto”
(Mart’nália/ Mombaça)

Esse primeiro samba da dupla Mart’nália/ Mombaça já evidenciava a química espantosamente pop dessa parceira – que, 5 anos depois, faria a irresistível “Chega”. “Entretanto” foi lançada no disco Minha Cara (1995).

“Pretinhosidade”
(Mart’nália/ Mombaça)

Palavra inventada por Mart’nália, “Pretinhosidade” é mais pop ainda que “Entretanto” e “Chega”. Cheio de trocadilhos e jogos de palavras, o samba cola no ouvido imediatamente. Foi lançado por ela em Menino do Rio (2006).

“Pé do meu Samba”
(Caetano Veloso)

“Pé do meu Samba” batizava e definia o conceito do álbum que Mart’nália lançou em 2002. Caetano o compôs especialmente para ela, falando do orgulho da cantora em ser Vila Isabel. Virou o hino da cantora.

“Renascer das Cinzas”
(Martinho da Vila)

No ano em que a Unidos de Vila Isabel vence o Carnaval carioca, Mart’nália traz de volta o belíssimo samba-enredo composto por seu pai e originalmente gravado por ele no disco Martinho de Vila Isabel (1984).

“Casa 1 da Vila”/ “Tiro ao Álvaro”/ “Formosa”
(Monsueto/ Flora Matos)/ (Adoniran Barbosa/ Oswaldo Molles)/ (Baden Powell e Vinicius de Morais)

“Eu sinto sede, eu sinto fome/ Mas mulher de amigo meu pra mim é homem”: provocadora, Mart’nália inverte os papéis sexuais do samba de Monsueto. Na seqüência, um samba paulista de Adoniran e um clássico da dupla Baden e Vinicius acrescentam novos sentidos o bloco.

“Alguém me Avisou”/ “Sonho Meu”
(Dona Ivone Lara)/ (Dona Ivone Lara/ Délcio Carvalho)

Mini-pot-pourri com os dois maiores sucessos de Dona Ivone Lara, que ficaram famosos além do universo do samba desde os anos 80, graças às gravações dos baianos Maria Bethânia, Gal Costa, Caetano Veloso e Gilberto Gil.

“Todo Menino É um Rei”/ “Vazio”
(Nelson Rufino/ Zé Luiz do Império) / (Nelson Rufino)

Homenagem ao grande Nelson Rufino, sambista nascido na Bahia que soube bem misturar a levada do samba de sua terra a letras bem cariocas. Também é reverenciado o cantor Roberto Ribeiro, que lançou os dois sambas no final dos anos 70.

“Chega”
(Mart’nália/ Mombaça)

“Não quero mais ser seu amigo, nem inimigo: nada”. Lançada em Pé do Meu Samba (2002), esta verdadeira ode libertária ao fim-de-caso amoroso virou um hit espontâneo e nunca pode faltar nos shows de Mart’nália. É exemplo maciço do carisma irresistível da música feita por Mart’nália.

OS EXTRAS TRAZEM...

Chico Buarque
A participação de Mart’nália no show que o cantor apresentou por lá na mesma época. Os dois cantam “Sem Compromisso” (Geraldo Pereira/ Nelson Trigueiro) e “Deixe a Menina” (resposta do próprio Chico Buarque ao samba de Geraldo Pereira), trocando e destrocando os papéis de “homem triste” e “mulher feliz”.

Luis Melodia
Versão em estúdio de “Estácio, Holly Estácio” com Luis Melodia. As duas escolas, Unidos de Vila Isabel e Estácio de Sá, passeiam lado a lado na areia da praia carioca.

E mais...
Depoimentos da cantora sobre sua primeira viagem à África, sua mãe Anália e seu pai (e patrão) Martinho.